sábado, 16 de setembro de 2017

Uma ajuda para quem aconselha casais (e outras pessoas)


Imagem relacionada

Por Jônatas Abdias
 

O conselho que tenho para dar aqui é: pense além dos textos sobre casamento.

As pessoas sustentam uma visão muito superficial do que seja aconselhar biblicamente, se por aconselhar casais você entende aplicar, ainda que corretamente, os textos sobre casamentos encontrados na bíblia, ao problema que o casal está enfrentando. Ainda que isso venha a acontecer, confinar o aconselhamento de casais à isso é reduzir em muito a ajuda que podemos dar ao casal que precisa dos direcionamentos preciosos que Deus nos dá na Palavra, mas estão em outros contextos espalhados pelas suas páginas. Este reducionismo pode ser expresso das mais variadas formas, e por alguns é até justificado. Mas quem faz assim não está fazendo um uso apropriado da Bíblia.

A dificuldade principal, se podemos colocar assim, vem por conta da Bíblia não ser um compêndio temático de problemas humanos com as respectivas respostas divinas, como se pudéssemos, ainda que através de seu complicado índice, achar o problema, que estaria registrado lá, seguido da solução. Justamente por ser esta uma configuração aparentemente mais fácil, podemos imaginar que tenha sido uma das razões para o atual Manual que lista todos os alegados problemas humanos tratáveis pelos profissionais da área de ajuda. Aqui é difícil não generalizar, mas não me restam outras alternativas, peço a gentileza da generosidade do leitor.

Continuando... Creio que haja muita gente bem-intencionada querendo ajudar, com uma aproximação limitada como essa. Você deve estar consciente, desde já, que agir assim é, no mínimo, ser superficial. Por que? Porque pensar biblicamente sobre um problema matrimonial envolve muito mais do que somente levar em consideração somente os textos nos quais o casamento parece ser o foco principal. Pensar biblicamente é dar ao seu sistema de pensamento limites conceituais que nascem de um correto entendimento da Palavra de Deus, entendida em seus apropriados contextos, mas entendida principalmente como a fidedigna revelação de um Deus que nos ama e se importa conosco, ao ponto de fazer registrar não somente as soluções para nossos probleminhas vivenciais, mas na medida que o faz, estar registrando a história da nossa redenção que foi consumada em Cristo na cruz, e é aplicada em nós pelo Espírito Santo.

A beleza de enxergarmos o amor de Deus revelado nas Escrituras vai além do conteúdo. Esta visão deve alcançar a beleza da forma como Deus fez registrar sua revelação especial. Ao fazê-lo como fez, ele não somente nos deu frias soluções de problemas, mas revelou-se a si mesmo. Sim! Em primeiro lugar, o que temos é Deus descortinando seu caráter e seu plano para nós. Aos poucos e amorosamente, Deus foi se fazendo conhecer de um modo que não ficássemos sobrecarregados dele, mas pudéssemos ver claramente sua sabedoria, amor, poder e graça, dentre outras muitas qualidades, sendo não só admitidos pela mente, pelo entendimento, mas experimentadas na vida, na experiência pessoal e comunitária.

Isso nos leva a considerar o outro benefício decorrente do formato de Deus nos ter dado a Escritura como fez. Deus nos deu histórias. Ele mostrou na vida real, de pessoas reais, com problemas reais e iguais aos nossos que sua vontade é a melhor, seu querer é soberano, seu amor é preferível... Que não podemos viver à parte dele. Deus aqueceu cada solução no calor da discussão, mas trouxe pronto refrigério, para que soubéssemos que, quando fôssemos nós a passar pela prova, saberíamos que outros tiveram êxito por que contavam com a mesma excelsa companhia (Deus-Conosco).

Quando nosso campo de visão é aumentado por essa percepção, tomamos consciência de que Pedro realmente tinha razão ao afirmar que já nos fora dado tudo o de que precisamos para viver esta vida piedosamente (2 Pe 1.3). Mas não falta quem sustente a ideia de que se a Bíblia não falou especificamente sobre o problema, então ela não tem nada a dizer sobre o problema.

Portanto, aprenda a fazer uso correto da Escritura no aconselhamento:

1. Quando o problema é tratado diretamente na Bíblia, ela funciona como um preciso mapa. Se houvesse como um GPS para nunca errar, não seria ótimo? Já inventaram um. Seu inventor é Deus, e seu nome é Bíblia. Este divino GPS, quando trata de um problema diretamente é um mapa de precisão nanométrica. Assim, Deus nos guia inequivocamente. Mas nem sempre temos um texto que trata diretamente do nosso problema. Creio que a maioria das pessoas sabe usar (ou saberia usar) a Palavra de Deus quanto há orientações diretas. Mas quando elas faltam? Aí entram os curiosos dizendo que a Escritura nada tem a dizer sobre o tema... O que fazer? Vá para o tópico seguinte.

2. Muitas vezes a Bíblia trata do tema indiretamente. Nesses casos, ela funciona mais como uma proteção, uma certa que delimita claramente os limites da ação cristã. Mesmo que indiretamente, as implicações de uma certa lei, ou de uma certa doutrina se encaixam perfeitamente ao tema. Fique atento para ouvir mais do que está sendo dito, quando estiver ouvindo uma exposição bíblica fiel. Isso resolve até certo ponto, pois a capacidade humana de criar problemas difíceis, unido ao fato de que esse vive num mundo suficientemente complicado, trazem problemas que vão além de orientações diretas e indiretas. Como lidar com a vida de modo agradável a Deus quando não houver instruções, nem diretas, nem indiretas, sobre o problema específico que passamos, ou sobre as dúvidas que nutrimos?

3. Caminhando sobre a fé de que temos na Palavra de Deus tudo de que precisamos, nossos solhos se abrem para o fato de que temos mais na Palavra. Podemos não ter orientações, mas sempre teremos direções gerais. A Bíblia foi forjada na vida, não num ideal imaginário. Vivemos versões modificadas do que todos antes de nós viveram, mas muito dificilmente experimentamos algo realmente inédito (como já dizia o sábio em Eclesiastes, afirmando que nada há de novo debaixo do sol: Ec 1.9). O que fazer com orientações gerais? Eles te servem como um "norte", como em uma bússola. Quando estamos perdidos, e não sabemos como chegar ao local de destino, qualquer ajuda serve. E como é bom quando, mesmo que a orientação não seja tão precisa, sabemos que a saída é "por ali"! Para muitas situações na vida, Deus não dá orientações diretas, pois sabe que Ele mesmo nos deu discernimento suficiente para sair da enrascada que estamos, somente com a seta no "Norte" da sua vontade. Em situações com direcionamentos gerais, a Bíblia funciona como uma infalível bússola.

4. Mas digamos que a Escritura nada fale sobre o tema. Sim, digamos que ela não nos forneça qualquer instrução. Poderia a Escritura, ainda assim, me ser útil em meu problema, dilema, dúvida ou questão? Eu acredito que sim, pois ainda em tais casos extremos, Deus continua jogando luz para o nosso caminho, a fim de não tropeçarmos. Se há horas em que nos sentimos como que barcos perdidos num imenso e revolto mar, desistir não é uma opção para o marinheiro que sabe que, cedo ou tarde, a luz insistente de um longínquo farol haverá de furar as trevas da tempestade, fornecendo uma direção segura.

Olhe além, e você sempre enxergará utilidade na Palavra de Deus. Aconselhe usando "todo o conselho" de Deus, e os casais que estão sob seus cuidados obterão melhor proveito do aconselhamento, ao passo que também aprenderão a ver além dos textos básico, para o todo de uma Revelação que revela mais do que podemos ver.


http://aconselhandocombiblia.blogspot.com.br/2015/10/uma-ajuda-para-quem-aconselha-casais-e.html

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

4 atitudes que todo casal deve ter para manter sua vida espiritual


silhouette art

Vida espiritual do casal. O que significa isto? Irem os dois juntos à igreja? Realizarem o culto doméstico? Fazerem uma oração rápida na hora da refeição? Nossa mente logo se direciona para atos de espiritualidade, mas gostaria de lhes pedir atenção para outra linha: atitudes que o casal deve tomar. Os atos isolados ou específicos devem refletir uma atitude íntima tomada pelo casal, e é desta atitude que quero lhes falar nesta ocasião. As atitudes definirão os atos e lhes darão valor. Alistarei apenas quatro, mas que nortearão nossa conversa.
 
PRIMEIRA ATITUDE: CONSCIÊNCIA DA AUTORIDADE DIVINA


A primeira atitude a tomar é o reconhecimento de ambos que estão sob a autoridade divina. Sei que “autoridade” é uma palavra maldita em nosso momento cultural. Associa-se, indevidamente, com opressão. Por causa disso, além da excessiva ênfase que nossa cultura dá no “eu”, ninguém quer se submeter e todos querem exercer autoridade.  Mas eu falo da autoridade divina. O casal crente precisa ter a consciência de que está debaixo da autoridade divina. Ou seja, há alguém acima dos dois. Há alguém que cuida, sim, mas esse alguém cuidador julga e estabelece critérios para os relacionamentos. Não é papai Noel, mas o Senhor Deus.
Parece tão óbvio, mas é tão esquecido! Poucos casais param e se perguntam, em momentos de decisão e em momentos de crise relacionais, qual é a vontade de Deus para eles. “O que Deus quer de nós, como casal cristão?” ou “O que Deus espera de nosso lar?”. Ou, ainda, “Como Deus deseja que procedamos nesta circunstância?”. Parece que temos um Deus para nos atender em caprichos e nos socorrer em aflições, mas não o vemos como Senhor de nossa vida e de nosso lar. E muitas decisões são tomadas no lar sem a consulta a Deus.
“Isto agrada a Deus?”  é uma pergunta fácil de se fazer, mas bastante incômoda. Por isso não é formulada mais vezes. A forma como criamos os filhos agrada a Deus? Não é se está de acordo com as modernas orientações das colunas psicológicas da Internet, mas se está de acordo com aquilo que sabemos ser a vontade de Deus, expressa em sua Palavra. Aliás, vontade de Deus está em desuso em nosso meio. O tal de “decretar” e de “declarar” tem nos tornado em deuses e tornado Deus o nosso funcionário prestativo, que tem prazer em fazer a nossa vontade. Deus tem deixado de ser nosso Senhor e paramos de perguntar o que ele quer de nós, e tem se tornado nosso servo e ouvido o que queremos dele. Inclusive na vida doméstica.
Para se colocar sob a autoridade divina e buscá-la sem fardo e com alegria, o casal precisa nutrir a consciência de que o lar cristão é firmado sobre o Senhor, é constituído para o Senhor e é propriedade do Senhor. Ele está sempre presente nos planos e aspirações do casal. Está presente nos projetos e no orçamento financeiro. No modo de nos tratarmos um ao outro, porque raciocinaremos nos seguintes termos: “Isto aqui é de Deus e eu tenho uma parte a cumprir para que dê certo. E prestarei contas a Deus pela maneira que procedo em minha casa”.
Precisamos tirar a vida cristã do âmbito do culto e entender que ela molda e rege toda a nossa vida. Principalmente o lar. Por isso, o casal crente precisa reconhecer que está sob a autoridade de Deus. E que seu lar é de Deus.

SEGUNDA ATITUDE: A CONSCIÊNCIA DE AUTORIDADE DA IGREJA
 
 
A igreja é de Cristo, é amada por ele, que deu sua vida por ela, e é valiosa aos olhos do Senhor. Mas é menosprezada por muitos crentes. Como há crentes falando mal da igreja! E muitos têm uma visão utilitária e funcional  dela! Em que a igreja pode nos servir? Qual igreja oferece o melhor programa, ou tem os maiores atrativos para nos deixar entretidos? Qual permitirá mais desenvolvimento aos  nossos filhos? Onde encontraremos uma que tenha estacionamento próprio e não precisaremos deixar o carro na rua? Qual tem os bancos mais confortáveis?A igreja é o corpo de Cristo. Inclusive a igreja local. Paulo disse isso da igreja dos coríntios, que ela era o corpo de Cristo. Não podemos ter uma visão da igreja meramente institucional, mas sim uma visão teológica e espiritual. Nela somos inseridos na vida de outras pessoas, que são nossas irmãs na fé, somos colocados dentro do propósito de Deus não apenas para nossa vida, mas para o mundo. E é onde temos a oportunidade desenvolver nossa família.
Temos vínculos com ela, somos responsáveis por ela, estamos sob a autoridade dela. O casal precisa ver a igreja como o espaço em que Deus o colocou para viverem em grupo, cultivarem amizade, serem ajudados, servirem ao Senhor e aos outros. É mais que freqüentar cultos. É entender que há uma instituição de origem divina que foi onde Deus os colocou e onde viverão experiências em comum. É triste ver marido ou apenas mulher na igreja. É triste não ver os dois juntos. Mas que alegria ver uma família chegar de mãos dadas, Bíblias nas mãos, louvar a Deus juntos, fazer propósitos de serviço juntos, ser benção juntos. É lindo ver um casal vir à frente reconsagrar a vida ou trazer os dízimos! Nos cultos de oração, ver os dois, juntos, ajoelhando-se para orar. Isto é se colocar sob a autoridade da igreja, sua autoridade espiritual.
É preciso colocar-se também sob a autoridade institucional da igreja. Amá-la, inserir-se na sua programação, mostrar aos filhos, com a vida, que a igreja lhes é importante.
Ame sua igreja, casal crente! Se vocês têm o hábito de se queixar e falar mal da igreja, será que não é mais uma atitude pecaminosa de vocês que uma  montoeira de falhas dos crentes? Será que há tantos imprestáveis lá e que vocês são os certinhos? Vejam-na como bênção divina, onde vocês crescerão juntos e onde criarão filhos juntos. O casal cristão insere a igreja em sua vida e faz do seu lar uma igreja. Que bela a expressão de Paulo sobre o casal Aqüila e Priscila: “As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Aqüila e Prisca, com a igreja que está em sua casa” (1Co 16.19). Quando um casal ama a igreja, vive a igreja, tem relacionamento sincero com ela, como casal, não é difícil ter uma igreja em casa.

TERCEIRA ATITUDE: AUTORIDADE MÚTUA
 
 
O princípio está em 1Coríntios 7.4: “A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido; e também da mesma sorte o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher”. Não discutirei a questão de sexo, mas o princípio: um tem autoridade sobre o outro. O casamento nos coloca um sob a autoridade do outro. O marido está também debaixo da autoridade da esposa. Não tem vida independente dela, e deve satisfações sobre sua conduta, sobre aonde vai e o que faz.Muitos homens gostam muito de lembrar que o  homem é a cabeça da mulher. O grego é kephalê, que não significa apenas quem manda, mas quem nutre. É a mesma palavra usada na literatura grega secular para um rio afluente do outro, que o faz crescer e ter mais vida. O belo rio Negro é afluente do Amazonas (ou, se preferirem, Solimões). Ele o faz ser mais caudaloso e mais volumoso. O marido é responsável por fortalecer a esposa. Ele não manda nela, mas deságua nela, para torná-la mais vistosa. Ele é líder para puxar para cima, para dar perspectiva, mais que mando.
É oportuno lembrar 1Pedro 3.7: “Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações”. É significativo que Pedro diga que se o marido não honra a esposa e não cuida dela (e aqui o cuidado é mais emocional que financeiro) as orações ficam impedidas. Ele faz uma conexão entre relacionamento conjugal e espiritualidade. Um bom relacionamento conjugal produz melhor espiritualidade. Um mau relacionamento conjugal prejudica a espiritualidade.
Nós, homens, fomos acostumados ao discurso, inclusive da igreja, de que somos os “mandões”, mas somos os responsáveis pelo ambiente do lar. A honra e o respeito que dispensamos às nossas esposas influem até na qualidade espiritual do lar. Orar e ler a Bíblia, realizar culto doméstico, mas não cultivar bom relacionamento pessoal é um tanto estranho. Os dois, o trato pessoal e a comunhão com Deus, caminham juntos. Nós, homens, também estamos sob autoridade no lar. Sob a autoridade de Deus e sob a autoridade da esposa. Nós devemos alguma coisa à mulher com quem nos casamos. Ela não  é nossa empregada doméstica. É alguém a quem devemos honra. Somos responsáveis por ela, diante de Deus. E, ao mesmo tempo, estamos sob a autoridade dele e ela está sob a nossa, e ambos estamos debaixo da autoridade de Deus.

QUARTA ATITUDE: A VIDA ESPIRITUAL PROPRIAMENTE DITA 
 
A verdadeira espiritualidade considera um relacionamento correto diante de Deus e diante das pessoas. E a espiritualidade do casal considera um relacionamento correto dos dois diante de Deus e entre si. O casal cristão precisa nutrir a consciência da direção e da presença divina no lar. Precisa ver seu lar como sendo propriedade do Senhor.Aqui há um agir duplo. O marido é o sacerdote do lar, como Jó era (Jó 1.6). Ele acordava de madrugada e intercedia pelos filhos. Mais que sultão, o marido é o intercessor da família, aquele que ora pela esposa, ao invés de se queixar dela. Aquele que ora pelos filhos, ao invés de apenas dar-lhes broncas. O marido cristão dobra os joelhos para pedir pela esposa e filhos.
A mulher é o fiel da balança. Na realidade, são as mulheres que dão o tom da vida e o rumo a seguir no lar. As muitas admoestações de Provérbios sobre a mulher mostram isso. Uma mulher levanta ou derruba um homem. Ela o muda, para pior ou para melhor. Ela é que comanda, nos bastidores. Sua influência, seu jeito, sua postura fazem as coisas acontecer. Se ela tem equilíbrio espiritual, tudo se ajusta. Tenho observado isto: se o marido não é ajuizado, mas a mulher é e mostra isto aos filhos e é terna e amorosa, as coisas podem ser salvas. Mas se a mulher é desajuizada, não há marido que ajude os filhos ou salve o lar. Não é apenas o marido que não é nada sem a mulher. Os filhos também não são. O lar, como um todo, também não é. Se o homem é o sacerdote do lar, a mulher é o fiel da balança.
Ele é a fonte de equilíbrio e ela, o manual de equilíbrio. E quando os dois têm consciência de que são do Senhor e ambos mantêm o lar nos caminhos do Senhor, tudo flui bem. A espiritualidade do casal inclui a consciência de que construíram um lar para Deus.

CONCLUSÃO

A espiritualidade do casal é mais que atos e liturgia. São atitudes que se resumem a uma consciência: “Somos cristãos, somos de Cristo, existimos para Cristo”.
Quero voltar a Áquila e Priscila. Paulo os conheceu em Corinto: “E encontrando um judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que pouco antes viera da Itália, e Priscila, sua mulher (porque Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma), foi ter com eles, e, por ser do mesmo ofício, com eles morava, e juntos trabalhavam; pois eram, por ofício, fabricantes de tendas”. Eles acolheram o missionário, tanto no seu espaço profissional como na sua casa. Eles hospedavam missionários.
Em Atos 18.18, o casal deixa de hospedar missionários e se torna  missionário: “Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias, despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áquila, havendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto”. A espiritualidade o casal cresceu. Não lhes bastava hospedar gente que fazia missões. O casal foi fazer missões.
Por fim, em Romanos 16.3-5, Paulo dá uma síntese da espiritualidade do casal: “Saudai a Prisca e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está na casa deles”. Ele agora coloca o nome dela em primeiro lugar (o que Lucas já fizera em Atos 18.18), chama-a pelo nome (Prisca era o nome e Priscila o diminutivo), agradece ao casal porque se expôs por ele, e diz que o casal hospedava, agora, não um missionário, mas a igreja toda.
Parece que Priscila era mais líder que o esposo, mas não há indícios de que isto tivesse sido causa de desconforto. O Espírito Santo registrou assim,  nos escritos sagrados: o nome dela antes do nome dele. Lucas e Paulo respeitam o casal e reconhecem, inclusive, a liderança de Priscila. Afinal, colocar o nome da esposa antes do nome do esposo era bastante incomum e impróprio.
Aqui está o modelo de casal cristão. Crescendo cada vez mais no serviço ao Senhor. E sendo uma só cabeça e um só coração. No trato com Deus, no trato com o seu reino e no trato com a igreja de Deus. Isto é espiritualidade de um casal cristão. Que seja um modelo para nós.

O pastor Isaltino era filósofo, psicólogo, teólogo e pastor, foi considerado o escritor batista com o maior número de livros publicados ainda em vida.

https://www.udf.org.br/artigos/4-atitudes-que-todo-casal-deve-ter-para-manter-sua-vida-espiritual/

 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Características de um homem biblicamente orientado. 1Timóteo 6. 3 a 16:


Resultado de imagem para Características de um homem biblicamente orientado

O apóstolo Paulo, quando escreveu sua carta a Timóteo, apresentou algumas qualidades, algumas formas de como deveria ser um caracterizado o homem que é guiado pela palavra de Deus. 

O homem de Deus é conhecido por fugir da prática ímpia.
O homem de Deus deve estar preparado para resistir à tentação de abrigar em seu coração tais aspectos carnais e ímpios. Vejam a lista de qualificações negativas que o apóstolo Paulo apresenta: enfatuado, nada entende, mania por questões, contendas, inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, mente pervertida, privados da verdade, gananciosos...
É assustador imaginar que tais qualificações negativas possam direcionar o coração de homens que deveriam espelhar o modelo maior que é de Jesus Cristo. O homem de Deus foge destas coisas e não fica bem ambientado onde tais práticas acontecem.

O homem de Deus é conhecido por seguir a: justiça, piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.
A Palavra de Deus é mesmo incrível. Não basta “apenas” fugir. A exigência de fugir é acompanhada por uma instrução propositiva, ou seja, o homem de Deus foge da impiedade enquanto se aperfeiçoa na santidade. As duas realidades devem caminhar juntas.

O homem de Deus é conhecido por combater o bom combate da fé.
Esse combate exigirá mais do que força física. Exigirá a entrega total e completa da alma, visando um bem maior. O homem de Deus mostrará toda a sua força quando reconhecer que é fraco (2 Co 12:10) e, neste reconhecimento de sua própria fraqueza, procurará os recursos celestiais.
Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as cousas que nos conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. 2 Pedro 1. 3
Toda a força que os homens necessitam vem do Senhor e não dos conchavos espúrios. Homens biblicamente orientados não se calam diante da injustiça. Homens biblicamente orientados procuram agradar a Deus e não a si mesmo. Homens biblicamente orientados procuram promover a paz, sem jamais comprometer a verdade. Nestes dias de intenso relativismo moral/ético e espiritual, a igreja necessita que homens biblicamente orientados se apresentem para protege-la.
Dito isso, perceba que Paulo tem em mente o cuidado primeiro com o próprio Timóteo. Ou seja, antes de arriscar-se na defesa da fé, certifique-se que o seu coração está rendido ao senhorio de Jesus Cristo. 

Conclusão:
Devemos todos, homens e mulheres, sermos conhecidos por nossa identificação com Jesus Cristo e não por aspectos secundários da nossa vida.
Com isso em mente, lembre-se que o Senhor nosso Deus cuida dos seus. Nunca estaremos sozinhos ou abandonados. Deus não prometeu que teríamos uma vida triunfante aqui neste mundo, mas prometeu que terminaria a obra maravilhosa que ele mesmo começou em nós.
Como digo com alguma frequência ao meu filho: O mundo é imenso, intimidador, fascinante e sedutor, mas, saiba que o nosso Deus é infinitamente maior.
Sei que muitos homens têm imensas dificuldades de se portar da maneira exigida pela Palavra de Deus. Reconhecer isso é um bom caminho, porém, é preciso clamar pela urgente intervenção de Deus, para que ele, em seu tempo e soberana vontade, nos livre da apatia e do medo de sermos o que a Bíblia exige de nós. 

http://aconselhandocombiblia.blogspot.com.br/2017/08/caracteristicas-de-um-homem.html 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

4 razões porque os filhos param de respeitar os pais





Antes de mais nada analise seu comportamento perante seus filhos. Após, aplique estas dicas para encontrar a melhor maneira de mostrar a eles como devem agir.

Muitos pais sofrem acreditando que estão criando mal seus filhos e não sabem o que estão fazendo de errado, tampouco como consertar aquela situação. Seus filhos, mesmo sendo pequenos, têm atitudes de desobediência e desrespeito que lhes causam profunda tristeza.

Corrigir com algumas palavras mais duras ou colocá-los de castigo por alguns instantes não surtem o efeito necessário para que aquela situação cesse de vez. O ideal é cortar o mal pela raiz, primeiramente mudar as próprias atitudes para que assim os filhos possam ser corrigidos.

De acordo com a experiente Dra. Erica Reischer, psicóloga e terapeuta familiar, algumas das razões pelas quais os filhos deixam de respeitar seus pais, são:

1. Os pais deixam de prestar atenção em seus filhos e não percebem o comportamento desrespeitoso

Está certo que vida de pai e mãe não é fácil, mas é preciso colocar algumas coisas em ordem de prioridade, e os filhos devem ser um dos primeiros da lista. Talvez seja preciso fazer algum tipo de autoavaliação para verificar como é o seu relacionamento com seus próprios filhos. Você dá atenção necessária todos os dias? Presta atenção não só nas necessidades deles, mas também nas conversas?
Por ignorarem os filhos em prol de algo menos importante, as crianças acabam perdendo o respeito pelos pais e passam a ignorar seus pedidos e ordens. Talvez seja apenas um espelho da maneira como estão sendo tratadas.

2. Os pais se acostumam com o comportamento de seus filhos

Muitos pais não conseguem corrigir seus filhos nas primeiras vezes que eles os tratam desrespeitosamente e a consequência disso é que próximas atitudes semelhantes virão.

Lembrem-se, pais, é seu dever cuidar e educar seus filhos. Eles precisam crescer educados e sadios. Quando eles ultrapassarem os limites de uma boa educação a correção de forma pacífica é necessária para que ambos, vocês e eles, não sofram depois.

3. Os pais não têm certeza de como modificar tal comportamento

Quando seus filhos os tratam com desrespeito qual a melhor atitude a tomar? Cada família com certeza encontrará a melhor resposta, no entanto, o que não pode deixar de ser feito é sinalizar aos pequenos que aquela atitude além de feia é errada. Eles precisam entender isso.
Se vocês ainda não sabem como corrigi-los há sempre a experiência das pessoas mais velhas ou amigos próximos que poderão trazer algum tipo de auxílio para esses casos.

4. O comportamento não se adapta as suas expectativas de como as crianças devem agir

Muitas vezes criamos em nossa mente falsas ideias de como são as coisas. Uma criança com mau comportamento ou que faz birra no supermercado para que os pais comprem algo que ela quer não está agindo certo, por mais que alguns pais achem isso normal.

A educação deve ser dada às crianças desde ainda bem pequenas. Elas precisam conhecer a palavra respeito e aprender a agir respeitosamente. Não deixe que os pequenos assumam comportamentos ruins imaginando que um dia crescerão e entenderão o que é certo. Isso pode não acontecer e você terá criado um adulto prepotente e mal-educado.

Passem hoje mesmo a analisar suas atitudes em relação aos seus filhos e sejam intencionais na educação para o próprio bem deles.


Texto extraído do site familia.com.br
 
 

sábado, 22 de julho de 2017

A SÍNDROME DE PETER PAN: HOMENS QUE NÃO AMADURECEM




Essa síndrome foi acolhida no campo da psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983, pelo psicólogo norte americano Dan Kiley, que chamou de “Síndrome de Peter Pan”, um conjunto de desfechos de homens, que não aceitam renunciarem a condição de filhos para se tornarem pais.

A síndrome de Peter Pan se caracteriza por comportamentos expostos por homens que não querem deixar de ser crianças, porque são imaturos em determinados aspectos psicológicos, sociais e sexuais. Além de manifestarem atitudes narcísicas e de desatinos, sobretudo, por temerem a solidão, o abandono e o fracasso.

Geralmente são homens que têm mais de 30 anos, que radiam camaradagem no primeiro contato. Mas essa síndrome tem se transformado próximo de uma doença social, visto que são homens que se negam, psicologicamente, de passarem pelo processo de amadurecimento humano.

Hoje há uma valorização exagerada da juventude, enaltecida pela mídia, como um mecanismo narcísico de consumação da fugacidade do presente. Contribuindo com a imaturidade psíquica desses homens, que são “rebeldes sem causas”, que se recusam a envelhecer, agem ao seu bel-prazer, sem a preocupação das consequências de seus atos.

Embora levam uma vida profissional exitosa, mas na sua vida pessoal eles seguem agindo como adolescentes egocêntricos e vorazes por diversão, colocando a culpa nos outros pelas suas irresponsabilidades. Na área das relações amorosos, não se esforçam para fazer parte de um casal maduro e estável.

São tipificados como “homens-meninos”, que se negam amadurecem, uma vez que são incapazes de conduzirem adiante com relacionamentos amorosos, pois exigem elevadas doses de afetos de mulheres, que possam oferecerem tudo, sem pedirem nada em troca. Mas não continuam por muito tempo em relações estáveis, visto que escapam dos compromissos afetuosos.

A irresponsabilidade é o núcleo dessa síndrome, que resultaram na falta de limites, que ocorreram na criação e na educação dos filhos. Assim, a educação dos meninos necessita ser considerada como uma fase importante na prevenção do surgimento da Síndrome de Peter Pan no desenvolvimento da personalidade das crianças. Os homens-meninos que buscam a cura dessa síndrome, a melhor maneira será apreenderem a se colocarem no lugar dos outros, para olharem a vida numa nova perspectiva e darem mais do que recebem. Não precisam anular o seu lado criança, ou se tornarem pessoas amargas, mas se adequarem de forma saudável e autoconfiante aos ambientes que convivem.

Outro caminho eficaz para o tratamento dos portadores da Síndrome de Peter Pan é a psicoterapia, que pode ser conduzida ao autoconhecimento. O primeiro passo para superarem a síndrome é encararem a realidade, agindo de modo condizente com a idade, que deve estar sintonizada com a idade psicológica e corporal. E também o apoio dos familiares e amigos são essenciais nesse processo de cura e amadurecimento. 
http://resilienciamental.com/2017/06/21/a-sindrome-de-peter-pan-homens-que-nao-amadurecem/